Coreógrafo reclama do trabalho de Rodrigo Nery e Priscila Motta e diz que não respeita encenação da escola do Borel
por Raphael Azevedo (jornal o Dia)
Rio - Sucesso na Sapucaí e aprovada com quatro notas 10, a comissão de frente da Unidos da Tijuca parece não ter agradado a todos. Para Fábio de Mello, coreógrafo da Beija-Flor, a encenação que representou a alma do sanfoneiro não passa de "plágio". O veterano também criticou o estilo adotado pela escola do Borel. Segundo ele, a "novidade" levada pela Tijuca para Sapucaí já era conhecida desde a década de 1980, quando foi usada num espetáculo do grupo suíço Mummenschanz."O que a Tijuca está fazendo é acabar com o quesito comissão de frente. Respeito a Tijuca, mas só da comissão para trás. Essa escola está fazendo o público de otário porque o Mummenschanz já usou essa sanfona há muito tempo. Chamar aquilo de criativo é um absurdo. Enganar o público brasileiro é covardia. Não tenho nada contra o Paulo (Barros) e nem contra o Rodrigo Nery e a Priscila Motta (coreógrafos), que são do Teatro Municipal, mas quem monta a comissão é o Paulo Barros. Pesquisar elementos no YouTube e jogar na frente de uma escola isso todo mundo pode fazer", detonou Fábio.
O coreógrafo questionou também o tratamento dado à comissão da Tijuca pelos jurados. Para ele, a agremiação está "copiando trabalhos de espetáculos internacionais". "É uma grande palhaçada. Fiz minha história sem copiar ninguém e criei tudo sem copiar nada de lugar nenhum. Mas os jurados parecem que só querem esse tipo de show estrangeiro. A Beija-Flor tem que pegar a Madonna e botar na comissão de frente para tentar conseguir a nota máxima. Vai ganhar o Carnaval. Comissão de frente virou show encomendado e comprado no primeiro mundo", ironizou.
'Nada é criado genuinamente', diz coreógrafa da Tijuca
Procurada por O DIA, a coreógrafa da Tijuca, Priscila Motta, evitou polemizar as declarações de Fábio de Mello, mas afirmou que não concorda com a opinião do colega. "Não fazemos Carnaval para agradar os outros coreógrafos. Fazemos para agradar os jurados. Respeito o Fábio (de Mello) e admiro ele. Sempre aprendemos com seu trabalho, mas infelizmente não posso me preocupar em agradar aos meus amigos coreógrafos", disse.
Para Priscila, a consagração da comissão da escola foi conseguida e é consenso na cidade. "Somos uma equipe vitoriosa. O trabalho foi aclamado e o público ficou encantado. Nada é criado genuinamente e o Carnaval é feito de referências. Quem critica tem que ter inteligência cultural para entender isso", rebateu.
Feliz com o segundo título na carreira, a coreógrafa elogiou Paulo Barros e contou que a maior preocupação dos responsáveis pela comissão é com o público. "Cada um deve se procupar com o próprio trabalho. Respeito as críticas, mas realmente nossa preocupação é com o público. Isso não tem preço. Sou campeã do Carnaval e não vou ficar chateada com nenhum comentário negativo. O Paulo Barros é incrível e adoramos trabalhar com ele. Fazemos as coisas darem certo na Avenida".
Críticas também aos carnavalescos da Beija-Flor
Ao comentar suas notas na Beija-Flor (9,7/9,9/9,8/10), Fábio reclamou do tratamento recebido por parte da comissão de Carnaval da azul e branco e surpreendeu ao dizer que já se considera "demitido". "Minhas notas não foram surpresa. A surpresa foi o 10. Tenho 20 anos de comissão. A primeira apresentação para o jurado foi ruim e ao longo da Avenida fui tentando sair da derrota total. Faltou rádio de comunicação e foi esse o problema. Minha assistente ofereceu um sistema de rádios por R$ 300, mas a escola achou caro".
O coreógrafo também criticou a estrutura de trabalho na escola. "Já cheguei ao topo, mas agora estou no fundo do poço. Não me deram ouvidos. Não fui ouvido e ninguém me deu apoio. Os carnavalescos sumiram. Existe muita briga de ego lá dentro. Eles começaram a brigar entre si. Só tiro o chapéu para o Anísio e para o Laíla, que é um mestre do carnaval. Eu e Laíla fomos vítimas das mesmas coisas. Todos acham que a Beija-Flor é só luxo e dinheiro e não é exatamente assim. Recebi o pior salário desde que saí da Imperatriz", disparou.
Ameaças na Interner por causa do resultado
Bastante abatido, Fábio revelou que tem sofrido ameaças na Internet por causa do resultado. Segundo ele, Laíla ordenou que a comissão não parasse diante do setor 3, o que fez com que a escola perdesse 0,1 décimo antes mesmo da abertura das notas. "O Laíla deu ordem de não fazer. Não sou idiota e não surgi ontem. Mas só digo uma coisa: nenhuma escola se apresentou diante do setor 3".
Aos críticos, ele fez questão de mandar um recado. "Vivo a minha vida e pago meu condomínio sem o Carnaval. Não quero mais fazer comissão de frente".
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